sexta-feira, 14 de outubro de 2011

PARA SABER MAIS - Watson e o comportamento


Seria imperdoável iniciar o estudo desta teoria sem uma breve citação do psicólogo em causa, que nos elucida sobre a base da sua teoria:

Dêem-me uma dúzia de crianças sadias, bem constituídas e a espécie do mundo que preciso para as educar, e eu garanto que, tomando qualquer uma delas ao acaso, prepará-la-ei para se tornar num especialista que eu seleccione: um médico, um comerciante, um advogado e sim, até um pedinte ou ladrão, independentemente dos seus talentos, inclinações, tendências, aptidões, assim como da profissão e da raça dos seus ancestrais”.

WATSON, J., Behaviorism, Norton, 1925, p. 85


A partir desta citação é visível a intenção de John Watson, pai da Psicologia científica. De facto, este psicólogo pretendia transformar a Psicologia numa ciência aplicável não só aos animais, mas também aos seres humanos, pois considerava que todas as espécies tinham evoluído, por selecção natural, partindo de uma origem comum, à semelhança do que defendia Darwin. Segundo ele, não faria qualquer sentido a divisão entre a psicologia humana e a psicologia animal, dado que existia uma continuidade entre ambos. Assim, este ramo da neurociência cingir-se-ia ao mero estudo dos comportamentos observáveis (behaviorismo), directa ou indirectamente, constituindo-se uma ciência autónoma, objectiva e, sobretudo, experimental. Deste modo, podiam ser medidas as respostas, seguindo um determinado método experimental, obtendo-se um grau de objectividade superior ao método introspectivo, ou seja, através de várias experiências conseguiria adquirir um conhecimento mais alargado acerca do comportamento humano do que utilizando, por exemplo, o método da psicanálise de Freud. Cabia à Psicologia observar, quantificar, descrever o comportamento enquanto relação causa/efeito, mas nunca interpretá-lo.
De acordo com a teoria de Watson, estes comportamentos constituiriam então a resposta de um indivíduo a um determinado estímulo, sendo este último representado por um E (objectos exteriores) e a resposta por um R (reacções físicas). A um conjunto de estímulos designava-se por S (situação). Watson estabelece, portanto, relações múltiplas entre estímulo e resposta.
Por estímulo entende-se o conjunto de excitações que agem sobre um indivíduo de forma a ser provocada uma resposta. É claro que todo o estímulo tem um limiar e um limite, por exemplo: o nosso organismo não reage a ultra-sons, apenas a sons dentro da gama de frequências apropriadas ao ser humano.
Quanto às respostas, podemos dizer que são tudo o que um indivíduo faz, desde o simples acto de estremecer devido a um barulho, à complexa construção de um arranha-céus. É o conjunto de reacções concretas e observáveis no indivíduo, que derivam da relação complexa entre diferentes estímulos provenientes do meio físico em que está inserido o sujeito, dando-se em função da situação. Seria possível então ao psicólogo, através do estímulo, prever o comportamento que lhe estaria associado.
Neste contexto, os comportamentos são nada mais, nada menos, que aprendizagens condicionadas pelo ambiente à sua volta. Esclarecidos estes conceitos, empreende-se que a base do behaviorismo no qual Watson se apoiou, seja a de que um mesmo estímulo – ou estímulo semelhante – provoque sempre a mesma reacção, a mesma resposta nessa pessoa ou animal. A mesma causa conduz sempre ao mesmo efeito, pelo que não só seria possível prever os comportamentos, mas igualmente controlar a sua produção, condicioná-los. É a partir dos comportamentos mais simples e mais elementares – e, portanto, comuns tanto a ser humanos como a animais –, que se compreendem os comportamentos mais complexos, sendo possível tirar conclusões explícitas a partir do desenvolvimento de pesquisas em animais.
A hereditariedade é, assim, posta de lado, valorizando-se unicamente a influência do meio, do contexto social, ou seja, a educação. O indivíduo é passivo no processo de conhecimento e desenvolvimento. Ao estudar aquilo que é meramente observável, o estudo dos processos cognitivos torna-se deveras limitado. Ele chega mesmo a afirmar que “O homem não nasce, constrói-se”.
Em conclusão, a sua teoria baseia-se em quatro aspectos fundamentais, que funcionam como uma espécie de síntese e que passo a enunciar:

-  O comportamento é composto por respostas e pode ser analisado em cada detalhe da sua constituição, a partir dos estímulos que lhe são adjacentes;
-  O comportamento é constituído por alterações do nosso corpo (secreções glandulares, etc.) cingindo-se a processos físico-químicos;
-  Para todo e qualquer estímulo, existe sempre uma reposta, que será semelhante em indivíduos inserido no mesmo meio;
- É a partir de comportamentos mais simples que se conseguirá entender os mais complexos;

Assim, Watson afirma, em Psychology As The Behaviorist Views It: “Creio ser possível criar uma psicologia (…) jamais usando os termos da consciência, estados mentais, mente, conteúdo, verificável por introspecção, imagens e outros afins (…). A definição pode ser feita em termos de estímulo e resposta, formação de hábitos, integração de hábitos e outros”.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Watson e o Comportamento - breve síntese



Watson é considerado o pai da psicologia científica ao distinguir-se da psicologia tradicional que tinha por objecto a consciência e por método a introspecção. Watson critica Wundt por não ter conseguido romper com a psicologia tradicional. Para se constituir como ciência, a psicologia deve abandonar a introspecção e limitar-se a observações externas. Para isso, o psicólogo terá que assumir a atitude do cientista e trabalhar com dados que resultam de observações objectivas.

Segundo Watson, só se pode estudar directamente o comportamento observável (behavior): a resposta (R) de um indivíduo a um dado estímulo (E) do ambiente. Portanto, o objecto da psicologia é o comportamento observável; para atingir esta finalidade, deverá recorrer ao método experimental.

A corrente behaviorista faz uma interpretação causalista do comportamento com o objectivo de estabelecer leis capazes de permitir prever, perante determinado estímulo, a reacção de um organismo, bem como saber, face a uma dada resposta, qual o estímulo ou estímulos que a tinham desencadeado. Neste sentido, o comportamento é o conjunto de respostas objectivamente observáveis e é determinado por um conjunto complexo de estímulos (situação) provenientes do meio físico ou social em que o organismo se insere. R=f (S): o comportamento ou resposta (R) é função (f), isto é, depende da situação (por exemplo, uma criança ri à vista de um boneco; uma rapariga treme ao pensamento do primeiro amor…).

Podemos concluir que o comportamento do ser humano e o seu desenvolvimento depende, segundo os comportamentalistas, totalmente do meio em que o sujeito está inserido.

Se com Wundt a psicologia tinha por objecto os processos mentais, demasiado subjectivos e ocultos, com Watson o objecto da psicologia são os processos físicos, visíveis e objectivos. O primeiro requisito para que a psicologia fosse ciência era os seus fundamentos serem considerados objectivos. Objectivos no sentido de públicos, isto é, abertos e acessíveis a qualquer observador. Ora, isto não acontecia com a introspecção. Na psicologia introspectiva o indivíduo que a pratica é o único capaz de observar a sua consciência e uma consciência nunca poderá ser submetida completamente à investigação laboratorial. Watson transfere, por isso, o objecto da psicologia da experiência consciente para o comportamento visível e capaz de ser submetido ao método experimental.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O MÉTODO PSICANALÍTICO

Freud constatou que a hipnose era um método terapêutico limitado por 3 motivos:
é Nem todas as pessoas eram suscetíveis de serem hipnotizadas;
é Os resultados não eram duradouros, uma vez que as resistências pessoais eram evitadas e não analisadas;
é O doente não era ativo na sua cura.
   Estas limitações levaram Freud à descoberta de um novo método de exploração do inconsciente: o método psicanalítico.

  Sucintamente, a psicanálise, enquanto terapia, baseia-se nos procedimentos seguintes:
é Associações livres de ideias;
é Interpretação dos sonhos;
é Análise dos atos falhados;
é Processos de transferência
 Vamos agora falar mais profundamente destes procedimentos:
1. Associações livres

O paciente deveria dizer livremente o que lhe vinha à mente, expressar os afectos e as emoções sentidas, sem se preocupar com uma descrição lógica ou com o sentido das suas afirmações, num processo de associações livres.
Freud começou por constatar que bastaria despertar na consciência as recordações recalcadas para permitir libertar as emoções congregadas em torno dos sintomas.
Com a ajuda do psicanalista, o paciente iria descobrir a linha explicativa dos seus sofrimentos.
O paciente devia reviver terapeuticamente o seu passado, numa viagem à infância, onde estão, segundo Freud, as raízes dos problemas. O objectivo seria recordar ou reviver os acontecimentos traumáticos recalcados, interpretá-los e compreende-los, de forma a dar ao ego a possibilidade de um controlo sobre as pulsões.
2. Interpretação dos sonhos

Segundo Freud é a "realização disfarçada de um desejo recalcado". Neste sentido, o sonho não é um retrato fiel do que se passa no inconsciente, pois as imagens que ele nos apresenta têm o valor de símbolos e, como tal,carecem de leitura adequada. Essa leitura tem que ser feita pelo psicanalista, já que a sua especialização e experiência lhe permitem estar familiarizado com a linguagem simbólica e com os mecanismos do inconsciente humano. Assim, Freud pretende ir além do que o conteúdo manifesto (descrição feita pelo pacientedaquilo que recorda da história vivida no sonho) e descobrir o conteúdo latente dos sonhos (sentido oculto do sonho, resultante da interpretação simbólica feita pelo psicanalista).
3. actos falhados
 
Os actos falhados resultam da interferência de intenções diferentes que entram em conflito. São os desejos recalcados que dão origem aos actos falhados.
Exemplos:
Esquecimento de chaves, carteira, casaco, agenda,
pequenos lapsos e trocas de palavras
Os actos falhados, segundo Freud, tem um sentido positivo. O psicanalista pode encontrar nestes lapsos um bom apoio na exploração do inconsciente, uma vez que eles podem-nos abrir pistas para encontrarmos recalcamentos e desejos inconscientes que são causa de patologias.
4. Processo de transferência
 
É uma relação especial estabelecida durante o tratamento entre o psicanalista e o paciente em que este revive as situações da infância como se estivessem presentes nesse momento.
Dá-se então uma actualização de sentimentos e emoções como desejos, medos, ciúmes, invejas, ódios, ternura e amor, que na infância eram dirigidos aos pais e irmãos e que agora são transferidos para a relação com o analista.

Assim, a transferência pode ser positiva ou negativa, conforme o tipo de sentimentos relativos ao terapeuta.
  O psicanalista, sentindo e compreendendo (através deste processo), esta passagem de sentimentos, vai, pela interpretação, devolver ao paciente a ligação desses sentimentos transferenciais com o que se passou na sua infância (contra-transferência)
  Sintese elaborada por:
 Rita Neves nº26; 12ºB
 Verónica Guedes nº28; 12ºB
 Sara Canteiro nº32; 12ºB

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

COMPLEXO DE ÉDIPO

O Complexo de Édipo surge numa fase que é denominada por estádio fálico, que se verifica dos 3 aos 5/6 anos.

É durante este período que rapazes e raparigas descobrem que o corpo da mulher e do homem apresentam diferenças um do outro. Começam, então, a explorar o seu próprio corpo, apercebendo-se que a relação entre as pessoas envolve elementos de natureza sexual. É também nesta fase que as crianças vivem a sua primeira experiência de amor heterossexual. O rapaz alimenta uma especial atracção pela mãe, ao mesmo tempo que desenvolve uma agressão competitiva em relação ao pai. Pelo contrário, a rapariga desenvolve a especial atracção pelo pai, vendo a mãe como um obstáculo à realização dos seus desejos.

Verifica-se o Complexo de Édipo quando a criança atinge o estádio fálico: amor à mãe e ódio ao pai (não que o pai seja exclusivo). O mundo infantil resume-se a estas figuras parentais ou as representantes delas. Esta relação é, segundo a psicanálise, a essência do conflito do ser humano.

O Complexo de Édipo inicia-se na ilusão de que o bebé tem de possuir protecção e amor total, reforçado pelos cuidados intensivos que o recém-nascido recebe pela sua condição frágil. Por volta dos 3 anos a criança começa a aperceber-se de algumas proibições, nomeadamente: não poder dormir a noite na cama dos pais, não poder andar despida pela casa ou na praia, entre outras coisas. Começa, então, a perceber que não é o centro do mundo e precisa de renunciar à sua ilusão de protecção e de amor materno exclusivo.

A criança apercebe-se que os pais pertencem a uma realidade cultural e que não podem dedicar-se apenas a ela, porque possuem outros compromissos; começa a perceber que o pai pertence à mãe e por isso dirige sentimentos hostis em relação ao pai, embora ame esta figura.

Para resolver o Complexo de Édipo deverá existir uma identificação, isto é, o menino  identifica-se com o pai e a menina com a mãe. No caso do rapaz, este tem o desejo de ser forte como o pai e ao mesmo tempo tem "ódio" por ciúme, embora inconsciente. O rapaz irá imitar e interiorizar as atitudes e comportamentos do pai. Identificando-se com o pai, o rapaz transforma os seus perigosos impulsos eróticos em afecto inofensivo pela mãe e ganhará a confiança do pai.

No entanto, existem consequências de fixações durante o estádio fálico, que podem desencadear determinados comportamentos nos homens, nomeadamente:

·         Originar personalidades que continuaram a debater-se com crises e conflitos de tipo edipiano; 
·         Procurar mostrar, de forma obsessiva, que não foram castrados, seduzindo tantas mulheres quantas possíveis;
·         Ser pai de muitos filhos;
·         Alcançar grande sucesso na carreira profissional;
·         Podem, também, falhar na vida sexual e profissional em virtude de sentimentos de culpa;
·         Procurar em cada mulher com quem se relacionam uma imagem da mãe.
 
 
 
O Complexo de Electra é, no fundo, a versão feminina do Complexo de Édipo, ou seja, amor ao pai e hostilidade à mãe.
Na perspectiva de Freud, a mudança ocorre porque, desapontada por verificar não possuir o mesmo órgão sexual que os rapazes, a rapariga sente-se “castrada” e responsabiliza a mãe por essa sua condição. Freud definiu este sentimento inconsciente como “inveja do pénis”.
O desprezo e o ressentimento marcarão a relação entre mãe e filha nesta fase. A rapariga transfere o seu amor para o pai, aspirando ocupar o lugar da mãe.
Este sentimento também pode ser ultrapassado. Tal como nos rapazes, a forma de resolver o conflito emocional consiste na identificação com o progenitor do mesmo sexo. Contudo, para Freud, a resolução do conflito é mais complicada nas raparigas do que nos rapazes. E porquê? Porque a persistência dos sentimentos de posse em relação ao pai, a “inveja do pénis” e o sentimento de inferioridade a ela ligado, dificultam seriamente a identificação plena com a mãe.
As mulheres apresentam, portanto, tentativas de recuperação simbólica, ou seja, desejo de dar à luz crianças do sexo masculino; tentativa de ascender a posições de destaque no mundo laboral.
Existem também consequências de fixações durante o estado fálico nas mulheres. Contudo, estas exprimem-se de forma particular em relação aos homens:

·         Estilo sedutor, mas no qual subjaz a negação de qualquer contacto sexual;
·         Atrair e seduzir os homens, mas depois ficam surpreendidas por estes pretenderem ter relações sexuais;
·         Fixação extrema pela figura paterna e persistência do ódio pela mãe pode levar à anorexia (rejeitar a morfologia feminina – magreza extrema que se traduz na perda das formas femininas e a proximidade à estrutura de um corpo masculino);
·         O homem ideal é também desejado à imagem do pai, complicando as relações afectivas.

            Síntese elaborado por:
Bárbara Cordeiro
Mariana Afonso
Rita Miguel
12º C

ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL

Segundo Freud o desenvolvimento da personalidade forma-se através de uma sequência de estádios psicossexuais que ocorrem desde o nascimento até a adolescência:

- Estádio oral

- Estádio anal

- Estádio fálico

- Estádio de latência

- Estádio genital


A cada estádio psicossexual corresponde uma determinada zona erógena, um conflito/experiência que pode deixar marcas  na personalidade adulta.


O estádio oral decorre entre o nascimento aos 12/18 meses, em que o bebé obtém prazer através de várias acções como: mamar no seio da mãe, levar objectos à boca, ganhar experiência e controlo sobre si próprio e descobrir novas coisas sobre o seu corpo. Neste estádio a zona erógena é a boca, lábios e língua. É a partir da boca que o bebé obtém o prazer, e descobre novas coisas. O conflito psicossexual é o desmame que ocorre no fim do período do estádio oral, em que o bebé deixa de mamar. A sexualidade é auto-erótica porque ele obtém o próprio prazer. Ocorre a formação do ego. 

Se a criança for desmamada demasiado cedo ou demasiado tarde, desenvolverá uma fixação, isto é, as necessidades características do desenvolvimento foram excessiva ou insuficientemente satisfeitas. Assim na sua personalidade adulta vai ter tendência para obter gratificação oral: fumar, beber, comer exageradamente, roer as unhas, consumir frequentemente pastilhas elásticas, bombons, passar horas ao telefone. Pode também apresentar características, quando adulta, como a credulidade, humor sarcástico, grande capacidade de argumentação ou obstinação na defesa das suas ideias, espírito critico, passividade e dependência.


O estádio anal decorre entre os 12/18 meses até aos 3 anos. O bebé obtém prazer através da estimulação do ânus ao reter e expulsar as fezes, continuando também a obter prazer através da boca, lábio e língua (estimulação oral). É nesta fase que as crianças começam a ganhar controlo da remoção de esfíncteres. Se a educação do asseio for demasiado exigente e severa, a criança pode reagir aos métodos repressivos retendo as fezes, assim a criança desenvolverá um carácter anal-retentivo, esta fixação pode dar origem a um individuo caracterizado pela teimosia, mania da pontualidade, avareza, egoísmo e pela obsessão com a ordem e com a limpeza. Poderá haver ainda uma outra reacção por parte da criança, em vez de reter as fezes revolta-se e expelias nos momentos menos apropriados, trata-se assim de um carácter expulsivo-anal. A zona erógena é o ânus. A sexualidade é auto-erótica e há um reforço do ego.


O estádio fálico decorre entre os 3 e os 6 anos. A criança tem tendência a seguir os hábitos do progenitor do mesmo sexo e ao mesmo tempo sente-se atraído pelo progenitor de sexo oposto. A zona erógena é a zona genital, as crianças sentem uma curiosidade entre a menina e o menino. É o período em que as crianças começam a masturbar-se. É neste estádio que surge o complexo de Édipo. Se o complexo de Édipo não for bem-sucedido / resolvido, o individuo adulto poderá desenvolver certas características.

Os homens têm tendência a seduzir várias mulheres, sendo pais de muitos filhos, Sucesso na carreira profissional, insucesso na vida sexual e profissional em virtude de sentimentos de culpa, podem também procurar em cada mulher com quem se relacionam a imagem da mãe.

No caso das mulheres também apresentam um estilo sedutor mas não têm qualquer contacto sexual, procuram também um homem que esteja ligado à imagem do pai.

Assim ambos os sexos apresentam dificuldades no plano do relacionamento sexual.

O estádio de latência  decorre entre os 6 anos e a puberdade. Neste período de tempo a criança começa a dar importância as relações com os colegas. É nesta estádio que ocorre a amnésia infantil em que a criança começa-se a deixar de se interessar tanto pela actividade sexual. A criança investe a sua energia nas actividades escolares. Não havendo nenhum tipo de fixação.



O estádio genital ocorre após a puberdade. Neste estádio surge uma activação da sexualidade, as pessoas de sexo aposto têm tendência a sentirem-se atraídas uma pela outra. O prazer sexual envolve todo o corpo, integrando todas as zonas erógenas, principalmente o órgão genital quando estimulado pelo parceiro. Este é o último estádio do desenvolvimento psicossexual. Não existe nenhuma fixação, mas sim um desenvolvimento da maturidade, a ultrapassagem da sexualidade auto-erótica, a satisfação do desejo sexual e a capacidade de amar e de cuidar.


Síntese elaborada por:
Sílvia
João
Ricardo
  12º C

CONCEPÇÃO DO PSIQUISMO - 2ª TÓPICA

2ª Tópica- id, ego e superego

                À medida que os processos inconscientes foram sendo explorados e conhecidos, surgiu a necessidade de melhor os diferenciar, agrupando conteúdos e processos mais homogéneos e úteis, dado que o critério do grau de consciência se mostrou insuficiente para abordar toda a complexidade do funcionamento psíquico.

Surge então a 2ª tópica que para além de apresentar uma visão mais completa da 1ºtópica, integrando os níveis psíquicos: inconsciente, pré-consciente e consciente, descreve, também, de modo mais adequado a interacção dinâmica entre as instâncias psíquicas ou estruturas que asseguram determinadas funções. São elas ID, EGO e SUPEREGO - estruturas essenciais da personalidade e que nos acompanham, ao longo de toda a vida.

ID: viver segundo o princípio do prazer: o seu objectivo é a procura do equilíbrio e redução de tensão. Para isso, utiliza dois processos: as acções reflexas - reacções automáticas e inatas (movimentos involuntários, reflexos como pestanejar e espirrar) que geralmente reduzem a tensão imediatamente e o processo primário do pensamento – tenta-se descarregar a tensão formando a imagem mental do objecto que irá remover essa mesma tensão e satisfazer a necessidade.

No fundo, o Id  é o sistema original da personalidade, a matriz da qual se originam o ego e o superego. Consiste em tudo o que é psicológico, que é herdado e que está presente ao nascimento, incluindo as pulsões, especialmente de origem sexual, agressiva e destrutiva, dado que são estas as mais recriminadas pela sociedade. É, também, o reservatório da energia psíquica. Freud chamou-lhe de “verdadeira realidade psíquica” porque ele representa o mundo interno da experiência subjectiva e não tem nenhum conhecimento da realidade objectiva.

SUPEREGO: é regido pelo princípio da moralidade. É a força moral da personalidade, instância que pressiona o Ego para este controlar as pressões do ID, estabelecendo as normas e as regras sociais.

O superego representa o ideal mais do que o real e busca a perfeição mais do que o prazer. A sua principal preocupação é decidir se alguma atitude é certa ou errada, para poder agir de acordo com os padrões morais autorizados pelos agentes da sociedade. Trata-se, pois, do representante interno dos valores morais e regras da sociedade conforme interiorizados pela criança (através dos pais) e impostos por um sistema de recompensas e de punições, desenvolvendo-se em resposta a elas.

EGO: vive segundo o princípio da realidade e o processo secundário do pensamento. É a instância mediadora entre os impulsos do Id e os limites morais do Superego.


O Ego está intimamente ligado ao Id, procurando de forma realista satisfazer os impulsos deste. Viver segundo o princípio da realidade implica evitar a descarga de tensão até ser descoberto um objecto apropriado para a satisfação da necessidade, ou seja, existe para satisfazer as necessidades do Id e não para as frustrar. Contudo, o seu realismo sabe, ou aprende que nem tudo é possível, que nem sempre é legítimo fazer o que queremos, quando queremos. O Ego não é inimigo do Id, está de certa forma, ao seu serviço.

O processo secundário é o pensamento realista, um processo voluntário, lógico, planeado, racional e controlado. Por meio deste processo, o Ego formula um plano para a satisfação das necessidades do Id e depois testa-o normalmente com algum tipo de acção para ver se funciona ou não.

O Ego é, no fundo, uma estrutura que pretende manter o equilíbrio entre as exigências dos desejos do Id de acordo com a realidade e com as exigências do Superego, seleccionando as características do ambiente às quais vai responder e decidindo quais os impulsos que serão satisfeitos e de que maneira.

Devido à divergência dos seus princípios, as três instâncias entram em pleno conflito.

Surge, então, o dinamismo da vida psíquica!


Como exemplo:
O João acaba de conhecer uma jovem muitíssimo atraente.
O Id quer imediatamente ter relações sexuais com ela.
O seu Superego diz-lhe que isso é impossível e que tais pensamentos não lhe deviam ocorrer.
O seu Ego tenta remediar o conflito entre os outros dois.

                                                                    
Síntese elaborada por:
Ana Teresa
Catarina Couto
Liliana
12ºB

domingo, 9 de outubro de 2011

Concepção do Psiquismo - 1ª tópica

Consciente, Pré-consciente e Inconsciente

Primeiramente acreditava-se que o homem, sendo um ser racional, conseguiria controlar os seus impulsos através da vontade, negando a existência do inconsciente.

Esta teoria foi contestada por Freud cujo objectivo de estudo era o inconsciente, onde este acreditava estar a ligação entre todos os acontecimentos mentais.

O psiquismo humano é encarado por Freud como um icebergue, do qual apenas uma pequena parte emerge da superfície da água.
A parte emersa corresponde ao consciente . Nele estão os raciocínios, os pensamentos e as percepções que a pessoa é capaz de voluntariamente evocar e controlar segundo as suas necessidades ou desejos e conveniências do meio social.

É a parte da mente humana a que é possível chegar através da introspecção, ou seja, através da observação do que se passa no interior da nossa mente, dos fenómenos psíquicos que acontecem na nossa consciência. Ao contrário do inconsciente, é possível controlar voluntariamente o consciente dependendo das necessidades e exigências do ser humano. Até então, o ser humano era definido como um ser racional que controlava as suas acções através da sua vontade. Para Freud, a existência apenas do consciente não explicava muitos dos comportamentos humanos, designadamente certas patologias, o que levou Freud a afirmar a existência do inconsciente.

Freud refere ainda o pré-consciente (faz a ligação entre o consciente e o inconsciente), o qual corresponde, no icebergue, a uma zona flutuante de passagem entre a parte visível e a oculta. É constituído por conteúdos psíquicos (memórias, conhecimentos armazenados) que podem ser recuperados de forma relativamente fácil. A sua função é impedir a manifestação de pulsões socialmente inaceitáveis, ocorrendo o recalcamento. O recalcamento é um processo normal e indispensável ao equilíbrio psicológico e social do indivíduo; porém, há limites para além dos quais pode ocasionar o aparecimento de comportamentos neuróticos. É em especial destes casos que a psicanálise se ocupa.

A parte submersa corresponde ao inconsciente, formado por instintos, pulsões e desejos, muitos dos quais são socialmente inaceitáveis. O inconsciente é como um vasto contentor, onde estão depositados impulsos e motivos de base biológica. As duas categorias de instintos existentes no inconsciente humano são Eros (deus grego do amor) e Thanatos (deus grego da morte). Eros simboliza o instinto de vida que assegura as necessidades básicas: alimento, bebida, sexo; Thanatos representa o instinto de morte que está presente em todos os comportamentos agressivos e destrutivos.

O conjunto de pulsões e desejos inconscientes, essencialmente os de natureza sexual, possuem um dinamismo próprio cujo papel na determinação do comportamento humano é superior aos dos fenómenos conscientes.
Síntese elaborada por:
Adriana Ribeiro,nº1
Ana Nunes,nº3
Ruben Andrade,nº23
12ºB

INTRODUÇÃO À PSICANÁLISE

BIOGRAFIA DE FREUD
Sigmund Freud nasceu em 1856 na República Checa. Foi médico e criador da Psicanálise. Este estudante da mente humana ficou célebre pelas suas inúmeras experiências e descobertas no campo do pensamento humano. Freud observava os diversos comportamentos e tentava explicá-los através do estudo das situações traumáticas vividas pelos doentes. A carreira de Freud foi fortemente influenciada por Charcot aquando da sua viagem a Paris. Charcot utilizava o método da hipnose para tratar a Histeria, problema até então atribuído unicamente ao sexo feminino. Mais tarde, Freud, após experimentar o método da hipnose e em concordância com o famoso médico, Josef Breuer, chegou à conclusão que a Histeria não era apenas uma doença do género feminino mas também do masculino e concluiu que a origem desta doença estava no inconsciente do indivíduo.
O auge da sua carreira verificou-se em 1897 quando realizou o inédito: estudou o seu próprio inconsciente e os seus sonhos. Esta auto-análise levou-o a compreender melhor as situações em que os doentes se encontravam, colocando-se no lugar de observador e observado. Em 1939, acabou por morrer com um cancro no maxilar devido ao consumo excessivo de charutos.

Curiosidades/Aspectos importantes da vida de Freud:

• Um marco muito importante na vida de Freud foi o contacto com Charcot e Breuer, essa experiência conjunta levou o psiquiatra a avançar no seu estudo e a melhorar o seu método de compreensão do inconsciente;

• A criação da psicanálise como método de cura de neuroses foi outro factor importante para o progresso da Psicologia;

• A auto-análise foi talvez o maior acto de dedicação à profissão por parte de Freud. Foi algo inédito e a que poucos se conseguiriam submeter;

• Freud foi o primeiro a atribuir a sexualidade como causa das neuroses;

• Pela primeira vez foi estudada, mais profundamente, a sexualidade infantil e os seus estádios;

• O facto mais curioso da vida de Freud foi, talvez, a ironia subjacente à sua morte. Os seus 83 anos de vida foram dedicados ao estudo e à observação do inconsciente e do comportamento humano para, assim, tratar dos problemas dos doentes. Freud deixou para trás o seu próprio problema, vício de fumar charutos, que acabou por matá-lo.

OBJECTO DE ESTUDO PARA FREUD: O INCONSCIENTE

Freud deu uma grande contribuição para o objecto de estudo da psicologia pois, embora não tenha sido o primeiro a falar do inconsciente, foi o primeiro psicólogo a afirmar que o inconsciente tem um papel mais influente na nossa vida psíquica que o consciente, referindo que “A consciência é apenas a ponta do Iceberg”. Daí, o objecto de estudo da psicologia, para Freud, ser o inconsciente. Segundo ele, o inconsciente é um dos três níveis do psiquismo e domina a nossa vida psíquica. Define-o como um “lugar psíquico” ou um sistema do nosso aparelho psíquico que contém desejos sexuais e agressivos, sentimentos, impulsos, recalcamentos, ideias, que estão “situados” nas profundezas da nossa mente, aquém da consciência, isto é, que não podem ser trazidas voluntariamente à consciência.
A descoberta de que os processos psíquicos inconscientes influenciam em grande parte o nosso comportamento, personalidade e motivações levou a uma Revolução Psicanalítica. A partir daí, a psicologia passa a ser a ciência que estuda o comportamento e os processos mentais, não só os conscientes mas também os que provém do inconsciente. Devido a esta descoberta, com a aplicação do método psicanalítico, Freud fundou uma nova corrente da psicologia: a psicanálise. Assim, foi nomeado o “pai” da psicanálise.


PSICANÁLISE:

Sigmund Freud fundou a psicanálise, a fim de curar doentes com neuroses, sem que persistissem efeitos secundários da hipnose.
A psicanálise era então realizada com um paciente que estaria numa posição confortável (normalmente deitado num divã) e consistia numa simples conversa, em que era pedido ao doente que se debruçasse sobre todos os assuntos que lhe pudessem ocorrer, mesmo aqueles que não considerasse relevantes. Freud verificou que ao falarem de experiências traumáticas anteriores, os seus pacientes conseguia libertar-se dos seus distúrbios neuróticos.
A psicanálise é considerada uma teoria, uma vez que Freud alterou a concepção de processos mentais até aí existente ao considerar a actividade inconsciente a instância dominante da nossa actividade psicológica, considerando assim secundária a actividade consciente no que toca à determinação do nosso comportamento e processos mentais.
Por outro lado a psicanálise consiste num método de investigação na medida em que pretende detectar o factor que causa a psiconeurose ao indivíduo, isto é, pretende-se que o doente seja capaz de concluir o seu processo de cura falando sobre o acontecimento ou acontecimentos que lhe deram origem.
Por último entende-se que a psicanálise á uma técnica terapêutica, visto que utiliza diferentes procedimentos, tais como associações livres, análise dos actos falhados, interpretações dos sonhos e processos de transferência, que consistem em técnicas que a que o psicanalista deve recorrer a fim de orientar o processo de cura do seu paciente.

Objectivos da Psicanálise:

O processo psicanalítico visa não só uma tomada de consciência, por parte do paciente, da causa dos seus distúrbios, mas também chegar às zonas inconscientes dos processos mentais do indivíduo, pois a cura dos pacientes só é possível quando estes trazem ao consciente os seus processos mentais inconscientes.

SEXUALIDADE INFANTIL

Devido à sua larga experiência como psicanalista, Sigmund Freud viu-se obrigado a verificar que a causa dos distúrbios psicológicos de muitos dos seus doentes, estavam directamente relacionados com a opressão e repressão de desejos sexuais que estes haviam tido na sua infância.
No início do século XX, Freud afirmou a existência de uma sexualidade infantil, o que originou um enorme escândalo, uma vez que as crianças eram vistas como seres indefesos e inocentes e a sexualidade era um assunto delicado, e associado pela maioria das pessoas à genitalidade.
“Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade” foi o trabalho que lhe possibilitou não só concluir a existência de uma sexualidade infantil, como também delinear os diferentes estádios do desenvolvimento psicossexual da criança.


A importância da infância:

A infância é uma fase de desenvolvimento determinante para a criança e posteriormente para o adulto que esta se irá tornar. Todos os acontecimentos marcantes na infância da criança irão manifestar-se mais tarde. Logo, é crucial que esta tenha oportunidade de se exprimir para que não desenvolva traumas nem fobias devido à opressão ou repressão de sentimentos que esta poderá manifestar perante determinadas situações.


SEXUALIDADE E GENITALIDADE

Freud dissocia sexualidade de genitalidade atribuindo uma definição distinta a cada um destes termos.
Caracteriza a sexualidade como sendo toda a actividade que provoca prazer ao indivíduo. Não se centra apenas nos órgãos genitais, mas em todas as partes do corpo que possam provocar bem-estar e satisfação.
Freud, é, assim, o primeiro a afirmar que existe uma sexualidade infantil, sugerindo que esta possui diferentes estádios (oral, anal, fálico, latência, genital) ao longo da infância e adolescência da criança.
A genitalidade, tal como o termo sugere, está associada aos órgãos genitais e ao prazer que se pode obter a partir dos mesmos.


NOVA CONCEPÇÃO DE HOMEM

A concepção de Homem pré-freudiana, defendia que o Homem era um ser dominado pela razão. Desta forma, era através da vontade que o Homem dominava os seus impulsos.
A teoria freudiana além de apresentar uma nova concepção do aparelho psíquico (psíquico não é sinónimo de consciente) permite que um novo Homem se revele: um Homem que não é reprimido pela razão, um Homem dotado de pulsões, impulsos, desejos, interdições, etc, essencialmente de carácter afectivo-sexual, inconsciente e agressivo. Assim, Freud defende que o Homem tem como motivação essencial o prazer e que não vive receando a sua própria vontade de prazer, em busca da harmonia interior e equilíbrio psíquico.
Para Freud, o Homem não é dono de si próprio. É sim, aquilo que os seus desejos e as normas dos outros (principalmente as entidades paternais) fizeram dele, quando ainda não tinha uma identidade definitiva.
Freud vai introduzir, também, uma nova concepção de Homem que se desenvolve ao longo de cinco estádios de desenvolvimento e apresenta ainda uma nova estrutura da personalidade que consiste numa dinâmica entre Id, Ego e Superego.

Síntese elaborada por:
Mariana Flores
Tiago Silva
Raquel Ferreira
12ºC

O que é a psicologia