sexta-feira, 4 de novembro de 2011

BRUNER: A MENTE CRIADORA DE SIGNIFICADOS

Jerome Bruner

*      Psicólogo norte-americano que se formou na Universidade de Duke, em 1937.

*      Em 1941, obteve o doutoramento em Psicologia na Universidade de Harvard.

*      Desenvolveu varias pesquisas sobre a percepção, e mostrou que os valores e as necessidades influenciam o modo como se percepciona o mundo. As suas concepções contribuiram para a constituição da corrente americana designada por psicologia cognitiva, tendo colaborado na Fundação do Centro de Estudos Cognitivos da Universidade de Harvard em 1960.

*      Interessou-se pela psicologia educacional e valorizou a aprendizagem por descoberta em que o sujeito tem um papel activo no acto de aprender

*      De entre as suas obras destaca-se “Actos de Significado”;“O Processo Educativo” e a “Cultura da Educação”.

Bruner e a revolução cognitiva: a mente criadora de significados

*      Se para Watson a psicologia era a ciência do comportamento, para Bruner é a ciência da mente, e este pretende chamar a atenção para os aspectos sociais e cognitivos do funcionamento mental e do desenvolvimento intelectual.

*      Nos anos  60 e 70, a psicologia cognitiva substituiu o behaviorismo como corrente dominante.

*      Cognição significa conhecimento e a psicologia cognitiva consiste no estudo da nossa capacidade para adquirir, organizar, relembrar e usar conhecimentos e informações para guiar e orientar o nosso comportamento.

*      A revolução cognitiva não implica uma rejeição total do behaviorismo. Os cognitivistas estudam a mente através de inferências que têm como partida o comportamento ou actividade observável. A valorização dada aos processos por parte de Piaget ajudou a esta revolução.

*      As tecnologias de informação também deram auxilio à revolução, e actualmente quando pensamos na concepção do funcionamento mental em termos das tecnologias de informação, pensamos no computador.

Bruner e a revolução cognitiva: a mente criadora de significados(2)

*      Como funciona um computador? O computador recebe informação codificada (input), reorganiza-a e compara-a com outra informação armazenada na sua memória e usa os resultados para determinar quais os sinais a enviar para o sistema do computador responder (output). Este modo de funcionamento é análogo ao que o cérebro faz: o input é semelhante à recepção de informações pelos sistemas sensoriais. O output é semelhante à resposta comportamental e o que se passa entre estes dois processos é análogo ao pensamento.

*      Mas para Bruner o que acontece quando pensamos é diferente do que acontece quando um computador processa informação. Porquê? Porque processar informação implica a criação de significados. Esta criação de significados apesar de pessoal é partilhada com os outros que fazem parte do nosso contexto social, cultural e ideológico. Entre processamento da informação e a resposta aos estímulos e problemas do meio há um sujeito com um certo modo de pensar, agir, sentir e um mundo simbólico de pensamentos, ideias e teorias que constituem um dos nossos contextos de vida. A pertença a um dado grupo social e cultural marca a forma de uma pessoa pensar e se comportar. Para perceber os processos cognitivos devemos ter em conta o factor cultura. A cultura promove diferentes narrativas sobre a forma de agir das pessoas, as suas motivações, e crenças  sobre a forma como se resolvem problemas.


Bruner e a revolução cognitiva: a mente criadora de significados(3)

*      Desta forma, a título de exemplo, um computador funciona da mesma forma no Japão e nos Estados Unidos mas a mente de um japonês e a de um americano não interpretam a realidade necessariamente do mesmo modo pois têm culturas diferentes a influenciar o processamento de informação e as respostas comportamentais.


As etapas do desenvolvimento cognitivo


Quando criamos significados, estamos a interpretar a realidade de acordo com as informações a que temos acesso e com as narrativas a que demos crédito. Desta forma é normal que existam sempre pessoas com visões divergentes sobre o mesmo assunto ou objecto, visto terem diferentes aprendizagens e narrativas a influenciarem-nos. 

A mente cria significados e desta forma realiza uma construção cognitiva da realidade – ideia consistente com o construtivismo de Piaget. No entanto a mente não processa no vazio, as interpretações ou significados dos factos são influenciados pelos contextos do conhecimento, da história e da cultura.

Para Bruner resultamos do processo de produção de significados, realizado com o auxílio dos sistemas simbólicos da cultura. A mente constitui a cultura e é constituída pela cultura. A obra de Bruner, que foi pioneira para o desenvolvimento da Psicologia cultural, foca-se essencialmente no processo interactivo em que a mente constitui cultura e é constituída por esta. 

Ainda para Bruner não será possível o desenvolvimento cognitivo nem aprendizagem longe do contexto da interacção social pois não construímos sozinhos a nossa percepção do mundo. O desenvolvimento cognitivo depende muito das interacções com as pessoas, com os instrumentos do nosso mundo e com o desenvolvimento da linguagem.


As respostas motoras ou modo enactivo de aprendizagem

Apesar de não ter definido estádios como Piaget, dividiu o desenvolvimento cognitivo em três etapas embora. Desta forma Bruner acreditava que só acedemos a formas de representação mais complexas da realidade se outras formas mais simples já estiverem presentes.

As respostas motoras ou modo enactivo de aprendizagem (até aos 3 anos de idade)

Consiste sobretudo em acções ou repostas motoras. Nesta fase a acção é a forma favorecida de representação, descoberta e compreensão da realidade. É a fase em que se aprende através da manipulação de objectos. A título de exemplo: se quisermos ensinar às crianças algo sobre dinossauros, a forma mais apropriada segundo Bruner seria pedir - lhes para construírem modelos de dinossauros.

O pensamento icónico ou aprendizagem através da percepção e da memoria visual

O pensamento icónico ou aprendizagem através da percepção e da memória visual ( 3 aos 9 anos)

Baseia-se na organização visual, no uso de imagens e na organização de percepções e imagens. Predominam os elementos audiovisuais. A criança é capaz de reproduzir objectos, mas está muito dependente de uma memória visual, concreta e específica. Tome-se como exemplo: se quisermos ajudar as crianças a descobrir conhecimentos sobre dinossauros podemos colocá-las a ver um filme que envolva esses animais pré – históricos, um documentário sobre dinossauros ou visitar um museu de história natural.

 
O pensamento simbólico ou aprendizagem através da linguagem simbólica e abstracta

*      O pensamento simbólico ou aprendizagem através da linguagem simbólica e abstracta (a partir dos 10 anos de idade)

Caracteriza-se pela representação simbólica e é semelhante ao estádio das operações formais de Piaget.

O pensamento simbólico constitui a forma mais elaborada de representação da realidade porque a criança começa a ser capaz de representar a realidade recorrendo quase só a símbolos abstractos ou ao significado dos termos e conceitos. Finalizando o exemplo, as crianças e jovens na etapa do pensamento simbólico poderiam consultar textos de referência sobre dinossauros, e discutir umas com as outras as suas descobertas.



Conclusões

*      Como consequência da sua teoria, Bruner rejeita um modelo de ensino expositivo, aquele em que o professor transmite informação e o aluno recebe. Para uma melhor aprendizagem, deveria estimular-se o diálogo activo ao modo socrático, e o professor devia apenas orientar os alunos quando necessário. Assim os alunos construiriam activamente o seu conhecimento e avançariam para novas descobertas baseados no conhecimento adquirido em detrimento de serem meros receptores acríticos de conhecimento.

*      O ser humano constrói significados na sua relação com o mundo mas ao mesmo tempo é produto das narrativas mediante as quais cada cultura é transmitida aos seus membros. As narrativas são as representações que cada comunidade cultural elabora sobre como organizar a vida social, sobre valores, e aquisições fundamentais. Podem também ser definidas como descrições de formas padronizadas de agir, pensar e sentir que correspondem a interpretações da realidade partilhadas por certos grupos sociais ou culturais e que são transmitidas, assimiladas e acomodadas ao longo do processo de socialização.

 
*      Para Bruner há uma íntima vinculação entre desenvolvimento cognitivo e cultura. Não é indiferente pertencer a um determinado grupo social porque esse facto influencia o modo como pensamos e agimos.

*       Outro factor importante e a linguagem pois sem ela o pensamento fica limitado e como a linguagem forma a base da nossa compreensão do mundo, o entendimento deste também se reduziria.

Abordagem pela descoberta é a mais importante.

O que é a psicologia